Luizinho Joahima

ATO CONSUMADO

O rosto dela e seu perfume,
o longo e liso cabelo preto
sobre o dorso jogado,
a sensualidade no sorriso,
a silhueta no jeans apertado.

Carla, assim se apresentou.
Seria essa realmente sua graça?
Jamais ele saberá.
Mas fato é que esse nome,
indelével na história do rapaz 
enquanto ele viver, estará.

Puta, quenga, rapariga, prostituta.
Nomenclaturas que, no senso comum,
fazem dela uma mulher banal.
Mas ela não tinha a dimensão de que, 
no coração do jovem naquele momento,
ela era uma deusa, imensamente especial.

O primeiro abraço em uma mulher nua.
Os primeiros toques em partes recônditas
da macia e cheirosa pele feminina.
E depois... ato consumado.
O menino ficava para trás,
o homem estava formado.

O horário, só se sabe que era noite.
A recordação da data se perdeu.
Mas a lembrança do momento,
na memória dele nunca morreu