Jairo Cícero

O Desassossego da Busca

 
 
 
Há um fogo brando que não cessa, 
Um vento em mim que não regressa. 
Não aceito a margem, a linha reta, 
Minha alma é busca, sempre, inquieta.
 
 
Cada sombra oculta, um convite, 
Cada \"não sei\", um infinito. 
Os \"porquês\" nascem sem parar, 
Sedentos de um novo lugar.
 
 
Não me contento com o já visto, 
O conhecido é apenas um registro. 
Meus olhos pedem vastos horizontes, 
Minha mente, inesgotáveis fontes.
 
 
A curiosidade, um farol aceso, 
Me tira do porto, do sossego. 
Não há caminho único que me baste, 
Sou nuvem que se move, sempre em contraste.
 
 
E a inquietação é pulso, é motor, 
É o medo doce de ser menor, 
De não provar cada sabor da vida, 
De ter a alma ainda não vivida.
 
 
Assim, avanço, sem trilha, sem mapa, 
Cada descoberta, uma nova etapa. 
Porque o silêncio do \"tudo sei\" me assusta, 
E só na busca eterna a alma ajusta.