Conto: O cisne, o juramento e a sombra na casa.
Tudo começou quando Zeus viu Leda se banhando no rio Eurotas, e então ele falou baixinho para si mesmo:
— “Preciso chegar perto dela, mas ela vai fugir se eu aparecer como deus.”
Por isso, ele virou um cisne branco, fingiu que fugia de uma águia e caiu no colo de Leda. Ela segurou o animal com cuidado e disse:
— “Calma, bichinho. Ninguém vai te machucar aqui.”
Naquela mesma noite, Leda também deitou com o marido Tíndaro. Meses depois, ela botou dois ovos, e quando os ovos abriram, Tíndaro olhou assustado e falou:
— “Minha mulher botou ovo? Que deuses estão brincando com a gente?”
Dos ovos nasceram Helena e Pólux, filhos de Zeus, e também Clitemnestra e Castor, filhos de Tíndaro.
Anos depois, Helena cresceu e ficou conhecida como a mais bonita do mundo, e por isso vieram reis de toda a Grécia pedir a mão dela. Tíndaro ficou preocupado e disse para Ulisses:
— “Se eu escolher um, os outros vão fazer guerra aqui em Esparta. O que eu faço?”
Ulisses coçou a barba e respondeu:
— “Faz todo mundo jurar antes. Quem não casar com ela tem que ajudar o escolhido se alguém mexer com o casamento. Assim ninguém briga agora.”
Então todos os reis colocaram a mão num pedaço de cavalo sacrificado e juraram juntos:
— “Se alguém roubar a esposa do escolhido, nós vamos pra guerra ajudar ele.”
Só depois disso Tíndaro escolheu Menelau, e falou:
— “Você vai casar com minha filha e vai ser rei depois de mim.”
No entanto, a casa de Menelau já tinha uma sombra antiga, porque o pai dele, Atreu, carregava a maldição do bisavô Tântalo. E antes, Atreu e o irmão Tiestes brigaram feio pelo trono, e Atreu, com raiva, serviu os filhos de Tiestes num banquete. Quando Tiestes descobriu, gritou:
— “Você me fez comer meus filhos! Então eu te amaldiçoo: que os filhos de Atreu se matem uns aos outros!”
Muito tempo depois, Paris foi até Esparta e Menelau recebeu ele bem, mas quando Menelau viajou para Creta, Paris fugiu com Helena. Quando Menelau voltou e viu a casa vazia, chamou o irmão Agamenon e disse:
— “Ela foi embora com o troiano. Eu quero cobrar a jura de Tíndaro.”
Agamenon respondeu:
— “Então vamos chamar todos os reis. Ninguém pode dizer não, porque todo mundo jurou.”
E assim começou a guerra que durou dez anos. Durante a guerra, Agamenon precisou de vento para os navios e o adivinho falou:
— “Só se você sacrificar sua filha Ifigênia, os deuses vão mandar vento.”
Agamenon chorou, mas fez. Quando voltou vitorioso, a esposa Clitemnestra esperou ele no banho e falou frio:
— “Entra na banheira, meu marido. Você está cansado da guerra.”
E ali mesmo matou ele, para vingar a filha.
Anos depois, o filho Orestes cresceu e o deus Apolo disse para ele:
— “Você tem que vingar seu pai. Tem que matar sua mãe.”
Orestes obedeceu, mas depois ficou louco, e as Fúrias gritavam no ouvido dele:
— “Assassino! Matou a própria mãe!”
Ele correu até o templo de Atena em Atenas e pediu:
— “Deusa, me julga. Eu não aguento mais essa loucura.”
Atena juntou o povo, fez o primeiro tribunal, e quando deu empate, ela falou:
— “Eu voto por inocentar ele. A vingança acaba aqui. A justiça começa agora.”
Orestes ficou livre, casou com Hermíone, filha de Helena e Menelau, e a maldição acabou.
Já Menelau e Helena ficaram oito anos perdidos no mar, até que voltaram para Esparta. Um dia, já velhos, Menelau olhou para Helena e disse:
— “A gente perdeu muita coisa, mas eu ainda escolho você.”
E Helena respondeu baixinho:
— “E eu escolho ficar, mesmo com toda fama que ficou.”
No fim, os deuses levaram os dois para os Campos Elísios, para viver em paz.