Raphael Schmidt

Sinais Que Eu Guardei

Desde a volta das aulas, dois mil e vinte e cinco no ar,

teu sorriso já vinha no meu peito se instalar,

mas eu tinha compromisso, não podia vacilar,

cê dizia “oi” pra mim… eu fingia nem notar.

Era o sol me chamando, eu fingindo não ver,

era o mar me puxando, eu tentando correr,

teu olhar me encontrava, eu desviava o meu,

pra não trair quem tava… mas traía o que era eu.

Teu “oi” era melodia, meu silêncio era refrão,

eu guardava teu nome escondido no coração,

cada gesto teu virava segredo e tentação,

era amor em cadeia… sem direito à libertação.

Veio outra na minha vida, prometendo ser abrigo,

mas virou tempestade, me deixou no perigo,

quando viu meu mundo intenso, meu jeito diferente,

foi embora dizendo: “isso é demais pra gente.”

Disseram que eu sentia além do que era normal,

mas amar desse meu jeito nunca foi algo banal,

se é profundo demais, se é sincero até o fim,

então o erro do mundo… nunca vai ser em mim.

Depois veio outra história que também se perdeu,

por um erro tão pequeno, tudo desmoronou,

e eu fiquei sem caminho, sem saber o que é meu,

até o dia que o destino novamente te mostrou.

No meio do caminho, o acaso fez você surgir,

teu “oi” veio leve, só pra me atingir,

eu mandei um beijo solto, sem nem raciocinar,

e você respondeu… me fazendo acreditar.

Desenhou um coração no ar pra me alcançar,

e um gesto de despedida que eu não quis esquecer jamais,

foi simples, foi pequeno… mas mudou o meu lugar,

foi o pouco que bastou pra eu querer você demais.

Agora cê é pensamento que não quer descansar,

todo dia, toda hora, toda noite a me chamar,

cada segundo sem você vira falta, vira dor,

vira verso repetido, vira falta de amor.

Eu só penso se um dia cê vai me dar uma chance,

de mostrar que meu cuidado vai além de um romance,

que eu sei ser teu abrigo, teu motivo, teu lar,

sei fazer do teu sorriso um lugar pra morar.

Se um dia cê abrir essa porta devagar,

vai me ver inteiro, pronto pra te amar,

não perfeito, mas sincero… do começo até o fim,

porque tudo que eu guardei… sempre foi você em mim.