Passamos a noite juntos
no Hotel Fertel,
distantes do mundo
e próximos o bastante.
Dividimos amuletos,
vícios e desejos.
E quando menos,
os amores.
Fiz o que pude:
um risco, um corte — e a dor amiúde.
Ela pousou seus medos
e cortou os pulsos
em um impulso avesso.
Agora me pergunto,
onde estou?
Observo, inerte,
a estupidez esguia
que dissolve a vida.
Lá fora ainda neva.
E resta a dúvida:
os sentimentos.
Depois de algumas respostas,
a cabeça dói —
menos que a alma,
que não descansa.
\"Uma tarde em Père-Lachaise”
2026