Freddie Seixas

Tentando te encontrar

Eu fui desses que confundem estrada com liberdade, que trocam abrigo por horizonte
e chamam de vida o que na verdade era fuga.
Saí colecionando noites como quem junta moedas sem valor, beijos vazios, risos emprestados, corpos que nunca souberam meu nome por dentro.
E no meio desse carnaval de excessos, eu me perdi de mim  porque o único lugar onde eu existia inteiro era no silêncio do teu abraço.
Hoje, durmo em camas que não me reconhecem,
com travesseiros frios que não guardam teu cheiro.
E é estranho…
o mundo inteiro cabe na palma da mão, mas nada preenche esse buraco do tamanho do que a gente foi.
Eu achei que viver era acelerar, pisar fundo no desejo, ignorar o retrovisor do sentimento.
Mas era você…
era você o destino que eu fingia não ver.
Fui imaturo como tempestade fora de época, destrutivo como fogo em campo seco.
E agora caminho entre cinzas tentando entender
por que queimei o único lugar
que era lar.
A lua, essa velha testemunha, me disse teu nome outro dia, mas não com saudade…
com distância.
Como quem fala de algo que já não pertence a esse mundo.
E eu aprendi tarde demais, pra esquecer você, eu me afundei em atalhos, em peles que não sabiam teu idioma, em bocas que não tinham tua verdade.
Mas quanto mais eu tentava me perder, mais eu me encontrava preso em você.
Porque amar você não é ntensidade…
É paz.
E eu troquei paz por barulho, se a vida fosse justa, ou pelo menos, menos cruel, me daria mais um instante, um segundo antes do fim,
só pra encostar minha testa na tua e confessar sem fuga, sem orgulho, que todas as estradas que percorri eram só voltas tentando te encontrar.
Mas agora eu entendo…
tarde, claro, como tudo em mim.
O que eu chamei de liberdade era só um jeito bonito de dizer que eu não soube ficar.
E o que eu perdi, não foi você.
Foi o único lugar onde meu coração ainda batia.
Porque desde que você foi…
O resto em mim é só movimento.
Vida mesmo…
morreu junto com nós dois.

 

Por Freddie Seixas