G. Mirabeau

BIG BANG

Explodiu, sem sons,

A vida, embrião de morte,

Predeterminada

A explodir do nada.

 

Era Deus ou é?...

Ou somos ateus natimortos

Professos em fé?...

 

Explodiu o Nada.

Para onde?

Até o fim inexistente

Recriado a cada instante infinito,

Infinitamente no fim das dimensões?...

 

Nós, órfãos de Deus,

- Que já morreu ou não nasceu...? -

Vamos ao encontro do Pai

No passado-futuro,

Na morte que é nascituro:

Segundo antes do brilho,

Instante após o escuro...

 

E tudo explode de novo

Pela primeira vez...

Do novo Nada!

Levando ao Caos e aos Tempos,

Ao Deus, à coisa primeva

Que nos lança dessas trevas

- Por um bilionésimo da nada!