#Açu: Memorial do Silêncio
Claudio Gia, Macau, RN — 19 de abril de 2026
Entraram pela barra de Macau,
que o Rio que tem o nome de Rio Piancó
Piranhas Açu —
três nomes onde um só bastava
para dizer: água que corre
e não perdoa.
Piancó: som de pena que afunda.
Piranhas: som de boca que morde.
Açu: som de tudo isso junto,
misturado com o grito que não tem mais garganta.
Domingo Jorge Velho entrou pela barra,
mas quem já estava em Açu
não tinha porta para fechar —
tinha apenas o olho
que o estranho atravessou
como quem atravessa espelho:
vendo o próprio corpo
pelo lado do avesso da história.
O Rio Potengi não pediu nome.
Ele apenas levou
quem não tinha onde por
para onde não queriam ir.