Ayalah Verônica Berg

Inevitável

 

No fim,  
não peço perdão.  
Sobre o prato da balança,
e que meu coração –  
seja o último peso  
que inclina o universo
para um lado só:
um lado liso, negro,
e absolutamente lindo.   

 

E quando a morte, enfim,
nos reclame, não seremos pó,
nem lenda, nem luto:
seremos o abraço que o abismo inveja,
o amor que arde até dentro do inferno profundo.  


Inevitável 
de Ayalah Verônica Berg