O ouvido recebe
a prece dos pássaros.
Os olhos ardem,
tentando capturar
a forma do sol.
Os cabelos, presos às raízes,
querem fugir com o vento.
Instantes fugazes, singelos,
são o que me compõem.
A ternura que acolhe,
o semear que tende ao eterno.
Serei sempre grato
por ter sentido:
o toque, o gosto,
o cheiro, o som,
a luz.
Tudo assim mesmo,
no singular,
no singelo,
no fugaz.
Onde o sagrado
se disfarça de efêmero,
o mistério se deixa,
me deixa tracejar.