Raphael Schmidt

A Calma Rara da Alma

Desde menino, teu riso era casa,

teu abraço, meu lugar…

A gente corria na rua sem hora,

sem saber no que ia virar.

Era tudo tão leve, tão puro,

pé no chão e o mundo na mão,

mas o tempo virou meu segredo

e bagunçou meu coração.

Te vi trocando a boneca por sonhos,

te vi virando mulher sem notar,

e em cada fase da tua vida

eu fui ficando… sem saber onde encaixar.

Meu carinho mudou de nome,

meu olhar já não era igual,

o que era simples e inocente

virou silêncio emocional.

Aí o destino trouxe outro abraço,

outra mão pra te guiar,

e eu, calado no meu espaço,

tive que aprender a te ver amar…

E doeu… mas doeu quieto,

tipo samba triste no fim da noite,

um sentimento preso no peito

que a boca nunca solta, só açoite.

Porque te perder por inteiro

era pior que me esconder,

então eu virei esse amor guardado

que só existe sem você perceber.

Hoje eu sorrio quando te vejo,

finjo que o tempo resolveu,

mas toda vez que você beija outro

tem um pedaço meu que morreu.

E mesmo assim, eu te guardo bonito,

sem culpa, sem querer mudar…

porque tem amor que nasce proibido

e aprende sozinho… a não se revelar.