Perante a grande estrela outonal distante de nós,
E diante dos ventos cortantes e da queda das frondes,
Pode-se encontrar uma menina emaranhada em seus pensamentos,
Os quais à demonstram um outro mundo entusiasmado pelo encanto,
Onde o ser não fere a si mesmo e a virtude é perene,
Mas o peso do cosmo real fere o mundo onírico da menina-atenas,
Como se cada pétala caída fosse um cometa,
Porém essa decadência, por mais que a machuque, não a aniquila,
Tornando-a mais forte e preparada ao peso da aura,
Ao mesmo tempo que limita sua tempestade de olhos castanhos,
Todavia é importante que esse espírito de órbita interna jamais se limite,
Pois aquilo que da fulgor a estação âmbar é fruto de seu universo,
Que interpela um mar sem margens e o ilumina,
Transformando o frio invernal em um calento materno,
E essa vastidão azul iluminada se vê abençoado com tal consonância,
Onde a menina pode se vestir da doçura acalorada desse mar,
Vendo o cronos passar com um sossego de alma, vivendo um tempo kairós,
Desfrutando do cheiro marítimo e dos tons das ondas afrodisíacas,
Enfim, o astro-rei não está mais distante, demonstrando seu resplendor,
Os ventos se serenaram e as ramagens pararam de cair,
Os sorrisos da terra brotaram e demonstram sua formosura e perfume,
Onde agora a mulher e o mar se encontram ainda mais tecidos um ao outro,
Tornando-os, por fim, uma eterna profundidade viva.