As ondas do mar estavam calmas.
Você me abraçou e me beijou.
E disse que para a vida toda iria me amar.
Como as sereias, você me encantou.
Eu mergulhei em suas palavras.
Me afoguei no seu amor.
Já não conseguia olhar o horizonte sem você me guiar.
Eu nadei demais ou você não me acompanhou?
Você prometeu me amar.
À beira mar.
Você largou minha mão.
Me afundou num oceano de solidão.
Já não me lembro de seus beijos.
Nem de seus abraços.
Dentro do peito apenas o vazio.
Céu estrelado.
Lágrimas transbordam dos meus olhos.
Inundando nossas memórias mais lindas.
Já não acredito mais que um dia você voltará.
A vida segue.
Mesmo que o mar te traga de volta...
Não sinto mais nada.
Me perdi na imensidão dos mares desconhecidos.
Você me deixou sozinho.
Já nem sei mais quem sou.
Você deixou um buraco em minha alma.
E nem toda a água desta Terra poderá preenchê-la.
Há feridas que cicatrizam por dentro.
E essas moldam nosso jeito de ver o mundo.
Nunca mais fui o mesmo.
Você me descontruiu e me eu perdi de mim mesmo.
Lembrar você me traz rancor, mágoa, tristeza.
Se um dia eu soube o que era amor,
hoje quero distância.
Apesar de querer amar,
o medo fala mais alto.
Depois de estar em terra firme,
não quero me afogar novamente.
Quero voar e ser livre.
O amor ao mesmo tempo que te afaga,
te apunhala.
Amar dói.
Amar machuca.
Amar é bom,
mas quase sempre está com uma arma apontada para o seu coração.
A maré está baixa.
Vou me entregar para o mar novamente.
Me perder na imensidão do vazio e do silêncio,
que se escondem entre as ondas, o céu estrelado e luz da lua.
Vou me esquecer dos amores que vivi,
das mágoas que acumulei,
de tudo que já não me serve mais.
Vou morrer...
Só assim, poderei te esquecer.