#Ondas de Tinta
Claudio Gia, Macau RN, 18 de abril de 2026
No picapau amarelo do sertão,
Lobato plantou sementes de papel.
Cada página é um canto, um avião
que leva a infância a voar sem anel.
Mas há no ar outra voz, que não se lê —
o rádio, antigo barco de sinal,
navegando na estática, mercê
de hertzianos sinais de bem e mal.
Um é livro, crisálida de sonhos;
outro, onda que corta o temporal.
Ambos, porém, nos fazem mais risonhos:
um conta histórias, outro o temporal.
Criança que manuseia o que é seu —
um livro, um botão, um verso ou hertz —
aprende que o mundo, surdo ou réu,
se desamarra quando a mente se diverte.
Ler não é só juntar sílabas nuas;
é sintonizar fábulas nas ruas.