A vida hoje cabe em quinze segundos ligeiros,
Desliza na tela, em gestos rasos e passageiros,
O riso é curto, o afeto quase descartável,
Tudo é urgente, mas nada é memorável.
O toque virou clique, o olhar distração,
Profundo demais virou perda de atenção,
Sentir dá trabalho, pensar cansa demais,
E a alma se perde em filtros irreais.
O saber já não seduz como antes seduzia,
A dúvida virou ruído, a pressa virou guia,
Verdades são moldadas ao gosto do momento,
E a mentira se veste de convencimento.
Vivemos de ecos, de trends e aparência,
Confundindo silêncio com inexistência,
Mas no fundo ainda grita, abafada e ferida,
A fome antiga por sentido e por vida.