Às vezes escrevo porque grito
em um tom silencioso.
Em alguns momentos permito que ouçam
quando compartilho em versos
aquilo que me aflige.
E aflito, me sinto estranho,
não sei se todos são assim.
Mostro um sorriso sempre que posso,
e no fim do dia é evidente o esforço,
pois o sono fala bem alto,
mas a insônia eleva ainda mais seu tom de voz. Ambos me mantêm acordado
e se tornam meu algoz.
Por isso penso em excesso,
lotando todo meu estoque;
sem transbordar, o coração entope,
provocando meus anseios
que pressionam o peito.
Aí descobri:
o grito é o que escrevo.