Às vezes me penso estranha,
como se o mundo fosse feito
de curvas fáceis
e eu,
uma linha reta insistente.
Dizem que é simples fingir,
que é leve contornar regras,
que é prático dobrar-se
quando ninguém está olhando.
Mas em mim
fingir pesa nos ossos,
burlar arde na pele,
e não cumprir o que é justo
soa como um eco
que não me deixa dormir.
Talvez eu seja mesmo
a tábua de mim mesma —
rígida, firme,
sem muitos enfeites,
sem curvas que enganem o olhar.
Mas há força
em quem não se disfarça.
Há coragem
em quem prefere o peso da verdade
ao alívio curto da mentira.
Ser inteira
às vezes dói,
mas também sustenta.
Porque no fim,
quando o mundo se dobra em atalhos,
quem permanece reto
vira ponte,
vira base,
vira chão seguro
para si
e para outros.
E talvez
ser “esquisita”
seja apenas
o jeito raro
de permanecer
verdadeira.