O rei

Vestir-se de negro

É preferível vestir-se de negro,

Quando o idealismo todo cessar.

E a realidade doce e amarga,

Claramente se revelar a nós.

 

Clamo imediatamente por Vós,

Vós que olhastes aquele moço,

Que perdeu a esposa ainda moça,

Sem tempo para dizer um adeus.

 

Ó Deus, clamo por aquele ateu,

Que diante do carro funerário,

Encontrou o corpo do amigo.

 

--Não queria ir para o enterro,

O corpo veio ter contigo.--

 

Clamo pedindo misericórdia,

Pelo jovem que surtou na escola,

Queria fugir dali sem encontrar rota.

 

Não sou rei e não sou deus,

Mas bem sei que todo homem quer ser rei

Todo rei quer ser deus.

 

Só Deus quis ser homem

Para salvar a nós,

Pobres ateus.

 

Se tens o livre arbítrio,

Escolha isso,

Vestir-se de preto,

Num mundo bonito.