Café_Amargo

Pele de Mentira

Sorrisos, risadas, energia,

tudo para esconder uma boa mentira.

As horas passam, o dia amanhece, 

a cobrança vem, demora,

até parece que não volta mais.

 

Vai me dando corda,

para uma hora me enforcar 

 

Me deixa distorcer,

para também me enganar.

 

Fica tudo tão calmo

quando visto uma pele igual a minha, 

mas tão distante do meu real eu.

 

Sei que posso cair, morrer,

para logo me levantar

e olhar para os brilhos

que queimam meus olhos.

 

Brilhos de vida, das almas,

daqueles olhos, dos sentidos, 

que talvez não seja de minha

capacidade poder tocá-los

e entendê-los.

 

Sou uma acumuladora,

tanto de dias como de sentimentos

nunca vistos,

nem por mim nem por outro ninguém.

 

Sou igual a sensação

de sobreviver sem viver,

sou tão invisível 

que ninguém vê.

 

Talvez tenha de ser assim,

foi o último que me sobrou,

então me junto com o que restou

da imagem quebrada.

 

Serei o que sempre foi de ser, 

que tanto fingir

nunca ver.