Francisco Claudio Claudio Gia

#O Eco da Memória e o Som da Vida

#O Eco da Memória e o Som da Vida

Claudio Gia, Macau RN,16/04/2026
?I.
No calendário, a data é um ponto de inflexão,
Onde a história e a biologia travam conversação.
Dezesseis de abril, em sua dupla face revelada,
Traz a voz que canta e a lembrança silenciada.
É o Dia Mundial da Voz, vibração da existência,
Que exige cuidado, técnica e sã consciência.
O sopro que vira fonação, o laringe que modula,
A prevenção do mal que na garganta se insinua.
?II.
Mas a mesma data, no solo brasileiro,
Traz um eco sombrio de um tempo derradeiro.
Lembramos o Holocausto, a barbárie sem igual,
E Souza Dantas, o diplomata capital.
Ele, que usou sua voz e sua caneta com bravura,
Para salvar vidas da mais atroz ditadura.
A voz aqui é grito, é registro e é protesto,
Contra o esquecimento do horror, seu lúgubre manifesto.
?III.
Neste entrelaçar de som e de memória,
Cuidar da voz é preservar a própria história.
É ter a força de gritar \"Nunca Mais\" com clareza,
Enquanto a ciência zela pela sua delicadeza.
Do sacerdote à santa, Bernadete Soubirous,
Cada voz que se eleva tem seu próprio eco e jus.
Na Macau de sal, onde o sol a terra queima,
A voz se faz poema, a memória nela teima.