Carlos Lucena

ORAÇÃO

ORAÇÃO

Eu não creio nas palavras que limitam,
nem na esperança vendida em vitrines.
Não acredito em mãos que se apertam
quando os corações se apartam,
ou quando os corpos se aproximam
e as bocas, em ânsias, se dilatam.

Eu não creio nos lábios
que recitam orações,
enquanto a língua 
em brasa a alma escurece
pois dos males são vis as intenções
que a própria alma desconhece.

Eu não acredito
no canto frívolo da igualdade
que ecoa nos palanques 
suas doutrinas,
tirando do sensível a sensibilidade,
fazendo com que tais palavras
se pareçam tão divinas.

Eu não creio na construção
de promessas futuristas,
nem na máquina de fazer 
homens vencedores;
pois as joias, só quem lapida
são os artistas,
e a bondade, quem a lapida
são aqueles que 
conhecem os amores

Enfim, não acredito
no interior dos uniformes
que escondem malfeitores;
porque desses homens nenhuma víscera será aproveitada
pois jamais compreenderão as dores
de uma alma que alguma vez fora  enganada..