Sinvaldo de Souza Gino

Dominação e Burocracia

Dominação e Burocracia

A República é o tabuleiro racional-legal:  
sessenta e quatro casas normatizadas,  
onde cada peça age por competência, não por carisma.  
O Rei é a dominação tradicional esvaziada —  
símbolo, não substância, cercado por limites constitucionais.  

A Dama é a burocracia que se emancipou do fim,  
move-se em todas as direções porque domina o procedimento.  
Seu poder não é a espada, é o carimbo,  
é a portaria que dobra a diagonal do processo.

Cavalos são o patrimonialismo que salta o organograma,  
o “jeitinho” que cavalga por cima da impessoalidade.  
Torres: ministérios, autarquias, a jaula de ferro que protege  
e aprisiona. Bispos: ideologia secularizada,  
a ética protestante convertida em parecer técnico.

Os Peões encarnam a desilusão do desencantamento:  
avançam crendo na promoção meritocrática,  
mas descobrem que a oitava fileira é reserva de mercado.  
O xeque-mate nunca vem — só o empate por afogamento  
no Diário Oficial.