Dominação e Burocracia
A República é o tabuleiro racional-legal:
sessenta e quatro casas normatizadas,
onde cada peça age por competência, não por carisma.
O Rei é a dominação tradicional esvaziada —
símbolo, não substância, cercado por limites constitucionais.
A Dama é a burocracia que se emancipou do fim,
move-se em todas as direções porque domina o procedimento.
Seu poder não é a espada, é o carimbo,
é a portaria que dobra a diagonal do processo.
Cavalos são o patrimonialismo que salta o organograma,
o “jeitinho” que cavalga por cima da impessoalidade.
Torres: ministérios, autarquias, a jaula de ferro que protege
e aprisiona. Bispos: ideologia secularizada,
a ética protestante convertida em parecer técnico.
Os Peões encarnam a desilusão do desencantamento:
avançam crendo na promoção meritocrática,
mas descobrem que a oitava fileira é reserva de mercado.
O xeque-mate nunca vem — só o empate por afogamento
no Diário Oficial.