Você é doce, com um toque ácido,
um gosto que fere, mas ainda é desejado.
Eu tinha sede de te ter
e, mesmo sabendo, escolhi me perder.
Queria você, mesmo sendo fatal,
um veneno disfarçado de mel angelical.
Você é o belo que atrai e devora,
o irresistível que me chama e vai embora.
Uma luz e um perigo,
você é um grito que ecoa de um completo abismo,
doce castigo,
o meu maior abrigo.
E, mesmo que o fim me espere ao te querer,
sou incapaz de esconder
o desejo em mim despertado por você,
uma chama que arde sem nada dizer.
No silêncio, sem poder me conter,
me despeço das memórias do que sonhei viver.
Com o doce ainda nos lábios, percebo — tarde demais —
que já era para ter acabado.
E, na briga entre o que eu quero e a razão,
não me arrependo do que tivemos.
Afinal, você é o meu doce veneno
e a minha maior perdição.