Nascer é um espanto suave,
um primeiro grito que não sabe de si,
é o mundo abrindo os olhos
dentro de um peito ainda sem memória,
é a vida chegando sem pedir licença
e, ainda assim, sendo acolhida como milagre.
Crescer é aprender a ser horizonte,
é carregar perguntas nos ombros
e respostas nos passos,
é cair com a esperança intacta,
é reinventar-se em cada silêncio
e descobrir que o tempo também educa o coração.
Morrer não é apenas o fim,
é a última palavra que o corpo sussurra,
é o instante em que tudo se solta
como folhas confiando no vento,
é voltar ao invisível
sem perder o que foi sentido.
E entre nascer e morrer,
vive-se —
um intervalo breve e infinito,
onde cada batida do peito
é uma tentativa de eternidade.