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VIVI

Tudo o que eu fiz até hoje foi sobreviver.

Foi me manter viva — não por mim, mas por você.

Para que você não morresse de culpa.

Para que não chorasse todas as noites se perguntando o que poderia ter feito diferente.

Para que não carregasse esse fardo sozinha.

Eu fiquei. Eu aguentei. Eu sobrevivi por você.

Só para que você não chorasse.

E quando eu finalmente pedi ajuda,

você me virou as costas.

Me chamou de ingrata.

Disse que eu não pensava nos outros —

mas eu sempre pensei em você.

As pílulas na mão.

O silêncio do mundo.

A gritaria da alma.

A mente sussurrando: “vai\".

O coração implorando: “fica\".

Eu engoli.

E dormi acreditando que ali minha história acabava.

Mas eu acordei.

Levantei.

E continuei.

Vivi.

Com a faca encostada no peito,

o coração já doendo antes mesmo de ser perfurado,

eu pensei:

“vale a pena? Ela precisa de mim.”

Vivi.

Lâmina no pulso.

Sangue escorrendo.

Uma voz dizendo: “corta mais fundo.”

hesite, é não cortei.

Vivi.

Vivi.

Vivi.

E continuo vivendo —

por você.