Passeando pelas ruas de Lisboa,
repletas de pessoas de tantos países,
a cidade abre-se em vistas impecáveis
e segredos que o Tejo sussurra devagar.
A alma flutua, leve,
numa adrenalina inexplicável,
enquanto o vento traz o cheiro da comida
e toca suavemente o rosto,
como quem reconhece quem chega.
Há roupa estendida entre janelas,
vidas simples suspensas no tempo,
e passos antigos ecoam
nas pedras gastas da memória.
É maravilhoso perder-se
entre lojas, paisagens e artes,
como se cada detalhe chamasse por nós,
como se a cidade nos escolhesse também.
Os elétricos rangem histórias,
as danças e os cânticos ecoam pelas ruas,
e o sol brilha sobre o rio
onde os barcos seguem o seu destino,
enquanto as águas dançam
ao ritmo invisível da cidade.
À noite, Lisboa muda de voz:
acende luzes, respira fado,
e envolve quem fica
num abraço que demora.
Aqui, não há vontade de partir —
Lisboa não se revela de uma vez;
é preciso perder-se nela
para, enfim, se encontrar.