MAISA NALAPE

Lisboa

Passeando pelas ruas de Lisboa,

repletas de pessoas de tantos países,

a cidade abre-se em vistas impecáveis

e segredos que o Tejo sussurra devagar.

 

A alma flutua, leve,

numa adrenalina inexplicável,

enquanto o vento traz o cheiro da comida

e toca suavemente o rosto,

como quem reconhece quem chega.

 

Há roupa estendida entre janelas,

vidas simples suspensas no tempo,

e passos antigos ecoam

nas pedras gastas da memória.

 

É maravilhoso perder-se

entre lojas, paisagens e artes,

como se cada detalhe chamasse por nós,

como se a cidade nos escolhesse também.

 

Os elétricos rangem histórias,

as danças e os cânticos ecoam pelas ruas,

e o sol brilha sobre o rio

onde os barcos seguem o seu destino,

enquanto as águas dançam

ao ritmo invisível da cidade.

 

À noite, Lisboa muda de voz:

acende luzes, respira fado,

e envolve quem fica

num abraço que demora.

 

Aqui, não há vontade de partir —

Lisboa não se revela de uma vez;

é preciso perder-se nela

para, enfim, se encontrar.