O passo que não fura o chão
é o mais pesado de todos.
Mora num átimo, num hiato faminto,
onde o verbo não dobra a esquina
e o fôlego morre antes de virar oxigênio.
Eu iria. Mas o \"iria\" é só um pensar,
um lapso que se torna invisível.
É o luxo de ser tudo, sendo porra nenhuma,
uma promessa que se alimenta do próprio silêncio
para não ter que encarar o erro ou resposta da forma.
Quase.
A palavra mais suja do dicionário.
Um curto-circuito que não gera faísca,
apenas o cheiro de queimado do que poderia ter sido.
É o conforto covarde da dúvida,
onde a resposta é assassinada no berço
para que o aprendizado não nos roube a inocência.
Não há passo sem andar, não há risco se você nunca pular,
mas também não há chão se nunca olhar e acreditar.
Apenas essa estátua de fumaça,
erguida sobre a euforia do \"pensei em realizar\",
celebrando o triunfo do nada
sobre o risco de existir.