Guilherme H

Campo de Guerra

Ouço tiroteios por todo lado,

onde há terra, há barulhos, há gatilhos,

o coração de um soldado não descansa por um minuto sequer.

A gritaria é incessante, desejamos um pouco paz:

— quanto mais queremos, menos a temos.

 

O soldado lembra de sua família, seus entes queridos, sua felicidade.

Vê a sua M4 Carabine em sua mão, ela é gelada, pesada e mortal;

a arma que um dia foi um buquê de flores para sua mulher.

Os seus óculos que já ficaram sujos de tanto assistir televisão,

hoje sujos por lama, sangue e vísceras.

 

O soldado que já foi calmo e amoroso,

hoje virou uma máquina fria de matar.

Não pense que ele mudou, ele continua o mesmo.

O único desejo no coração dele é que a guerra acabe.

Que ele possa voltar a sorrir e ser feliz.

Que ele possa voltar a jogar Nintendo em seu quarto,

matando pessoas no jogo e não...

na vida real.

 

Até mesmo o autor do poema deseja paz... ao soldado cansado.