Ouço tiroteios por todo lado,
onde há terra, há barulhos, há gatilhos,
o coração de um soldado não descansa por um minuto sequer.
A gritaria é incessante, desejamos um pouco paz:
— quanto mais queremos, menos a temos.
O soldado lembra de sua família, seus entes queridos, sua felicidade.
Vê a sua M4 Carabine em sua mão, ela é gelada, pesada e mortal;
a arma que um dia foi um buquê de flores para sua mulher.
Os seus óculos que já ficaram sujos de tanto assistir televisão,
hoje sujos por lama, sangue e vísceras.
O soldado que já foi calmo e amoroso,
hoje virou uma máquina fria de matar.
Não pense que ele mudou, ele continua o mesmo.
O único desejo no coração dele é que a guerra acabe.
Que ele possa voltar a sorrir e ser feliz.
Que ele possa voltar a jogar Nintendo em seu quarto,
matando pessoas no jogo e não...
na vida real.
Até mesmo o autor do poema deseja paz... ao soldado cansado.