Aposso-me, em contraste ao caos que me cerca,
Adentrando esta sala desbotada em brancas fronteiras;
Então busco uma desculpa antes que eu me perca,
Para crer que emoções são ocorrências passageiras.
Prorrogo o retorno ao cotidiano do exaustivo exterior,
E engulo veneno para corroer por dentro esse tumor
Que cresce pelas entranhas sempre que me movo,
Assim evito o risco de recair e me apaixonar de novo.
Sem a necessidade de atirar palavras em inútil explicação,
Afogo-me por poucos segundos nessas fronteiras solitárias,
Até o oxigênio tornar-se rarefeito, falhando minha percepção,
E emergir de repente, à revelia das incertezas sanguinárias.
Quando o suficiente me bastar, as frestas quero fechar,
Para, na contradição de distância e falta, reabri-las a alguém;
Desse modo, antes que em mim finde a melancolia do luar,
Não preciso confiar meus segredos a mais ninguém.
Apesar desses vislumbres, sinto perdido o senso de domínio;
Meus pensamentos não condizem com toda a decadência
Presente nessa sala, onde abrigo os delírios do raciocínio,
Enquanto enceno, à solidão, uma frágil coerência.