Ela escondia o olhar,
como quem nunca esteve ali.
Eu fui inteiro,
sem defesa,
acreditando que aquilo
tinha nome.
Não tinha.
Ela ficou
pelo vazio que eu preenchia,
não por mim.
E quando disse,
foi simples demais:
nunca me amou,
era só dó.
Nada quebrou na hora.
Só perdeu o sentido.
Ela foi embora
como quem larga algo
que nunca foi seu.
Mas à noite,
ela volta.
Sem voz,
sem toque,
só presença.
Fica parada,
como se ainda ocupasse
o mesmo espaço de antes.
Eu acordo
e entendo de novo:
nem nos sonhos
ela é minha,
só é mais um lugar
onde eu continuo sozinho.