SOZINHO NA MULTIDÃO
Na sala cheia, reina o vazio,
vozes se cruzam, não me alcançam,
sou a conversa que ninguém ouve,
um corpo esquecido na moldura.
Amigos brindam, gargalham alto,
meu nome evapora no ar denso,
sou sombra perdida entre risos,
um retrato invisível na parede.
A pior solidão não é estar só,
é ser apagado em plena multidão,
um inútil aos olhos que não veem,
um grito mudo na festa da vida.
Autor: Benedito Morais de Carvalho (Benê)