Luiz CM

Ofício da Dúvida

Há vezes em que escrevo
Poemas com um ritmo ligeiro,
E, descontente, os reescrevo
Num incômodo passageiro.

Mas, distanciar-me não me atrevo
Dos gestos simples que conheço,
Pois neles há a confiança no encontro

De um impulso para o recomeço.

Depois, vou-me a divagar num literário confronto,
Companheiro da correnteza de rimas e sinônimos,
Desbravando as belezas entre o trágico e o cômico.

Até, por fim, aportar numa ilha de inúmeros porquês,
Que refinam os versos, ou os deixam absortos,
Para que eu volte a duvidar deles uma última vez.