Tornei-me eu?
Por quantos passei? Por quantos fiquei?
De quantos corri? De quantos fugi?
Do quanto gritei, quanto falei?
Do quanto calei, quanto omiti?
Se lutei, venci?
Se desisti, perdi?
Multiplicai-me, ó sim, mas fazei-me não sair de mim.
Encolha-me, sim senhor, mas não ceda aquele que sou.
Causticante engrandecimento. Tornou-me só.
Exceto por aquela luz que se fez embarcar. Aquela que vê a mim.
Toca-me, atravessa-me a pele e segura-me o peito.
Entrelaça-me com seus dedos, seu calor, fez casa em mim.
Estou só?
Não há ninguém fora de mim.
Confraternização de mim comigo.
Estou só?
Não há ninguém fora de mim.
Junção dos meus com os seus.
Naquele que sou, sou.
Em mim nasci, em mim morri.
No finito de mim, meu eterno reside.
No eterno de mim, tornei-me quem sou.