Um poema virgem nasce em silêncio
um silêncio ancestral que ainda não sabe
a leveza e o peso que tem as palavras
nem o destino que o tempo lhe dará
Nenhum verso conhece a alegria e a dor de viver
tão intacto como um vento sem memória
carregando apenas um pressentimento
de que viver já é contar uma história
E assim permanece – suspenso
entre o que não foi dito e o que o será
quase respirando e esperando
alguém que o faça nascer
Um poema virgem
é a calmaria que precede o grito