Olha pra mim, pelo menos uma vez
Me veja, me mostre que não estou invisível
Me dê um resquício de certeza de que você se lembra de mim
Enxergue através de meus olhos,
Pois a beleza nem sempre vem de padrões claros e simétricos.
Já que não posso te ter, me permita por favor, sentir seu desprezo.
Pois não há dor maior no meu ego
Que sentir que minha presença não tem significado pra você
Não há nada que machuque mais meu sofrido coração
Que ver você ao longe, e sentir que um dia, esteve ao meu lado.
Todos os caras desse lugar
Querem te namorar,
Ficam ao seu redor,
Como borboletas rodeando uma flor
Todas as outras moças
Sorriem pra você, te abraçam,
Te têm por perto, como um dia eu tive.
É como se o ambiente fosse o sistema solar
E você o sol, com todos os outros orbitando a sua volta.
Mas essa teoria se perde,
Pois tu és Vênus.
O planeta mais quente,
A deusa do amor e da beleza.
E eu não me canso de te venerar em segredo,
Enquanto te invejo e invento mentiras sobre sua vida na internet,
Pois só assim, ocupo minha cabeça extremamente cheia
De espaços inabitados e vazios descomunais.
Dessa forma, minha vida triste, injusta e sofrida
Tem algum sentido pra esse universo,
Quando eu coloco a cabeça no travesseiro
E me recordo de quando suas mãos esquentavam as minhas
Em meus dias monótonos,
E quando seu perfume invadia meu espaço
Em nossos passeios por essa cidade, que agora, eu odeio.
Vênus. 5, março, 2026.