CONTRAPOSIÇÃO
Carlos Antônio Alves de Lucena
Tirem-me tudo
os olhos
e tirem-me até os pensamentos,
os instantes,
os momentos.
Deixem que sequem as flores.
Tirem-me até os amores
e podem até mutilar-me a alma
e esquecerem-me nos abismos,
relegar-me ao caos,
negar-me alguma caridade.
Mas não me tirem a liberdade,
porque, mesmo cego, caminharei livre.
Sem os pensamentos,
seguirei sem estações;
com a alma mutilada, não terei pressa.
Nos abismos, ninguém estará comigo
e no caos
estarei tranquilo.
Nem lascívia,
nem ignomínia,
apenas a liberdade,
onde o amor e a paixão
são apenas contraposição.