Anna Gonçalves

O eixo do próprio chão

 

No âmago da condição humana, onde a ambivalência se debate entre a razão e o ímpeto,

aquele fluxo para a tão esperada sorrateira medalha, desbotou de tanto suor,

pois cada passo dado era um rastro repetido.

Andar em círculos é a pressa de quem teme o nó,

mas acaba por se ver, de novo, no mesmo esquecido.

?É preciso descer o peso para o centro do peito,

onde a razão e o pulso travam seu duelo mudo.

Nem só o cálculo frio do que é o \"correto\",

nem só a febre cega que quer carregar o mundo.

?Parei de empurrar o horizonte com as mãos.

Se o fruto for de colher, ele cairá por gravidade;

não há mérito no cansaço que nasce do vão,

na luta que gasta a alma e ignora a verdade.

?Deixo que as esferas sigam sua órbita exata,

sem que meus dedos tentem corrigir o girar do céu.

A mudança não é uma rotina que se adapta,

é o movimento que entende o que é seu e o que é réu.

?Não abandono a luz, apenas mudo a postura,

antes eu perseguia o sol até o esgotamento,

hoje, eu quero e permito que o dia me encontre na altura,

firme no meu eixo, sem brigar com o vento.