No âmago da condição humana, onde a ambivalência se debate entre a razão e o ímpeto,
aquele fluxo para a tão esperada sorrateira medalha, desbotou de tanto suor,
pois cada passo dado era um rastro repetido.
Andar em círculos é a pressa de quem teme o nó,
mas acaba por se ver, de novo, no mesmo esquecido.
?É preciso descer o peso para o centro do peito,
onde a razão e o pulso travam seu duelo mudo.
Nem só o cálculo frio do que é o \"correto\",
nem só a febre cega que quer carregar o mundo.
?Parei de empurrar o horizonte com as mãos.
Se o fruto for de colher, ele cairá por gravidade;
não há mérito no cansaço que nasce do vão,
na luta que gasta a alma e ignora a verdade.
?Deixo que as esferas sigam sua órbita exata,
sem que meus dedos tentem corrigir o girar do céu.
A mudança não é uma rotina que se adapta,
é o movimento que entende o que é seu e o que é réu.
?Não abandono a luz, apenas mudo a postura,
antes eu perseguia o sol até o esgotamento,
hoje, eu quero e permito que o dia me encontre na altura,
firme no meu eixo, sem brigar com o vento.