#SAL, MANGUE E MEMÓRIA
?Claudio Gia, ?Macau, RN, 08 de abril de 2026
?Sal, Mangue e Memória
?Aqui onde o sertão se curva em sal,
e o mangue escreve raízes no avesso do chão,
Macau guarda, nas gamboas quietas,
o lento parto da cristalização.
?O vento sopra antigas naus de sal,
barcaças de outro tempo — hoje são sombras.
Mas o moinho, qual faraó de hélices,
ainda gira sua prece alva nas lombas.
?Das salinas, a terra branca sangra,
petróleo dorme nas entranhas turvas,
e o cavalo-marinho, fólio vivo,
enrola a cauda nas histórias curvas.
?À noite, o fandango acorda tambores,
o coco de roda desata os pés do chão,
e o forró sobe como bruma quente
— Macau dança sua emancipação.
?Porto morto, memória em movimento,
onde o sal já foi ouro, o boi, moeda,
hoje a cidade é verso que não finda:
maré que vai, mas sempre cedo ou tarde, queda.
?Nota do Autor: > Uma homenagem às texturas e contradições de Macau, onde a brancura do sal encontra a escuridão do petróleo e a resistência do mangue.