Há um silêncio azul encostado na tua pele,
como se a noite tivesse aprendido
a te vestir de mistério.
De costas,
tu não te escondes —
tu te revelas ao invisível,
ao que só quem sente entende.
O espelho não te copia,
ele te pergunta:
até onde vais caber em ti mesma?
E então, quase em segredo,
o universo inclina-se dentro do teu peito
e tu dizes — não com a boca,
mas com a postura da alma:
Eu quero
como quem planta fogo no destino.
Eu posso
como quem quebra o vidro do impossível
sem fazer barulho.
Eu consigo
como quem já nasceu do outro lado do medo.
Teu corpo é uma promessa
amarrada em fios de coragem,
e cada passo teu
é uma resposta que o mundo ainda não sabe fazer.
Há um futuro inteiro
te esperando no exato ponto
onde decides não desistir de ti.
E ali —
justo ali —
tu deixas de ser reflexo
e passas a ser origem.
?? Stiviandra Lume