Um poeta por diversão —
mentira.
Levo a sério cada palavra,
porque é tudo o que me resta
quando a luz falha.
Escrevo da escuridão,
não por escolha,
mas porque aprendi a respirar nela.
As águas são profundas.
Quase sempre me afogam.
Às vezes, a maré recua
e eu roubo ar.
E quando emergi, ferido,
eu Te senti —
Teu poder, Tua glória.
Eu Te busco, ó Deus,
como quem se perdeu demais.
Mas a maré sobe.
Sempre sobe.
Meus pés cedem.
E eu afundo.
A melancolia pesa.
O frio invade.
O poço é fundo.
E eu entendo:
nunca foi diversão.
Era sobrevivência.