O universo nasceu no silêncio, disperso,
Sem promessas, sem luz, sem verso.
Do vácuo brotou a lenta expansão,
A ordem cedeu lugar à desintegração.
A vida surgiu frágil e sem um porquê,
Num mundo que cresce pra depois se perder.
Cada gesto é ruído num vácuo cruel,
E o futuro é um cálculo sempre infiel.
A entropia nos toma com mãos invisíveis,
Dissolve esperanças, silencia os incríveis.
As estruturas quebram, o tempo consome,
Neste limbo esquecemos o próprio nome.
Amores são perdidos sem deixar direção,
E os planos desmancham na palma da mão.
Há beleza? Talvez, mas também há engano,
Pois até a estrela mais viva se apaga com o ano.
Os fracassos nos moldam mais do que o sucesso,
E o riso é memória num mundo sem nexo.
E mesmo quebrado, o coração pulsa além,
Num mundo que sangra, fingimos que está tudo bem.
O caos é constante, a ordem, miragem,
A dor nos habita com certa coragem.
Na física há leis, frias, exatas,
Na alma, só ecos de perguntas ingratas.
Mas seguimos, porque parar é morrer,
E viver, no fundo, é se desfazer.
No fim, não há prêmio, nem salvação,
Só a beleza sombria da decomposição.