Francisco Claudio Claudio Gia

#O Corpo em Movimento

#O Corpo em Movimento 

Claudio Gia, Macau/RN, 06 de maio de 2026

Não é só músculo que se alonga ao correr —
é o silêncio dos ossos que aprende a falar.
Cada passo desenha no chão uma vírgula,
e o sangue, maestro, rege a sinfonia.

O sedentarismo, vício do asfalto,
adormece veias em poltronas de espuma.
Mas o corpo que dança com seu próprio relógio
inventa um tempo que o calendário não soma.

Há uma filosofia no gesto que insiste:
o ar que se perde, ao fundo dos pulmões,
é o mesmo que funda mapas invisíveis
entre a carne e o chão, entre o gesto e o som.

Movimento: lei que não legisla,
ética sem artigo, fé sem altar.
No dia em que a Terra inclina seus eixos
para o norte do esforço, o homem se faz mar.

(Inspirado no Dia Mundial da Atividade Física, seis de abril — quando o corpo lembra que viver é, antes de tudo, um verbo em ação.)