Francisco Queiroz

CA-RA-MI-NHO-LA

Caraminhola:

eita bichinho

ardiloso

se pousa na cabeça,

tira o sono.

 

Ontem, tranquilo

fui a um evento

e já fazia dias

sem nenhuma caraminhola

me perturbando

 

geralmente,

eu mesmo as crio.

 

No final do evento,

eu me sentia leve,

uma celebração simples,

mas vivificante.

 

Foi quando me veio uma pessoa

que, entre elogios

e puxões de orelha,

tentou despertar minha ambição.

 

Mostrou-me,

ao seu modo de ver o mundo,

o que valia a pena

e onde eu deveria

ou não

investir

o meu sagrado tempo.

 

Pois bem,

ao final da conversa,

ela me ofereceu

uma CARAMINHOLA

“tamanho família”.

 

Essas que os outros nos dão,

como um Cavalo de Troia,

são as piores.

 

As minhas

eu mato até com meus defeitos,

agora essas…

 

essas,

nem sendo um semideus

consigo me desvencilhar fácil.

 

Desde então, foram-se

as minhas noites de sono

e o meu apetite nem vou comentar…

 

Não é

uma bela de uma tragédia?

 

Tudo por conta dessa bendita

CA-RA-MI-NHO-LA

 

se a vejo de novo

faço meia-volta.