Caraminhola:
eita bichinho
ardiloso
se pousa na cabeça,
tira o sono.
Ontem, tranquilo
fui a um evento
e já fazia dias
sem nenhuma caraminhola
me perturbando
geralmente,
eu mesmo as crio.
No final do evento,
eu me sentia leve,
uma celebração simples,
mas vivificante.
Foi quando me veio uma pessoa
que, entre elogios
e puxões de orelha,
tentou despertar minha ambição.
Mostrou-me,
ao seu modo de ver o mundo,
o que valia a pena
e onde eu deveria
ou não
investir
o meu sagrado tempo.
Pois bem,
ao final da conversa,
ela me ofereceu
uma CARAMINHOLA
“tamanho família”.
Essas que os outros nos dão,
como um Cavalo de Troia,
são as piores.
As minhas
eu mato até com meus defeitos,
agora essas…
essas,
nem sendo um semideus
consigo me desvencilhar fácil.
Desde então, foram-se
as minhas noites de sono
e o meu apetite nem vou comentar…
Não é
uma bela de uma tragédia?
Tudo por conta dessa bendita
CA-RA-MI-NHO-LA
se a vejo de novo
faço meia-volta.