Já perdi a conta de quantas vezes respirei fundo,
engoli o cansaço e tentei, mais uma vez, te convencer.
É uma luta muda, um esforço que consome o mundo,
tentar provar meu valor pra quem só quer cobrar e não ver.
Tô de saco cheio de viver nesse tribunal constante,
onde cada gesto meu é julgado, pesado e diminuído.
Parece que eu sou um eterno réu, um figurante,
tentando te mostrar que meu cuidado é real e sentido.
Eu me desdobro, te coloco como prioridade,
te mostro com atitudes o quanto eu me importo contigo.
Mas você transforma minha entrega em vaidade,
ou em algo banal, como se eu fosse meu próprio inimigo.
Dói ver a energia se esvair por entre os dedos,
enquanto eu tento iluminar o que você teima em apagar.
Tô cansado de lidar com teus muros e teus medos,
de me sentir insuficiente por tanto tentar te agradar.
Minha voz já tá rouca de tanto explicar o óbvio,
meu peito tá pesado de carregar essa carga sozinho.
Não era pra ser um fardo, não era pra ser esse desequilíbrio,
era pra ser partilha, era pra ser o mesmo caminho.
Mas a gente cansa de bater em porta que não abre,
de gritar sentimentos pra quem escolheu a surdez.
A paciência esgota, a ferida finalmente arde,
e eu percebo que cheguei na minha última vez.
No fim das contas, a clareza vem com o cansaço,
e eu entendo que não adianta o esforço ter brio.
Acho que o erro é meu, por cada esforço e passo,
por tentar mostrar pra alguém o que ela se recusa a ver.