Intolerância a Vida Atual
De repente me vejo sombria, vazia, sem vida. Sei que busco na minha alquimia, o Cristo, e tento viver em paz, mas o medo da modernidade, das questões políticas, sociais, dos mimimis atuais, a ausência de meus pais, em especial de minha mãe. Dona Deonilde, que saudades.
A questão dos familiares se voltarem contra minha existência, sei que já não posso absorver o que na infância absorvia, e me tranco no íntimo de minha poesia, no decorrer das horas, em um domingo de Páscoa, com tantos conflitos mundiais, daí lembro de São Francisco de Assis, onde há dúvida que leve a Fé. E, eu com a mentalidade de menina, num corpo já chegando ao sessenta anos, as rugas, a flacidez, e talvez a própria solidão, me leve ficar assi,
Sou uma escritora sem fama, uma professora aposentada, que ainda estuda, e tenta ocupar a mente, mas meus repentes são únicos, às vezes, me deixo sucumbir, nos braços do Criador, outras vezes, fujo d\'Ele, e me apresso ao esgotamento.
Antes, tinha eu mais tempo de vida, de enriquecer, não da matéria, mas espiritualmente, e hoje o cansaço, o descaso, a vida até religiosa de meus filhos, que frequentam a umbanda, religião de minha sogra, a quem muito respeitava, mas ele não tinha nada, e também religião de meu professor de Química Carlos Carmello Ozório Pudles, que sempre fora umbandista. Hoje realmente não sei. Meus filhos me chamam de intplerante, pois vão aos lugares que desconhecem, e eu a Deus, me envolvo em prece, pois, sei que como mãe, não dei a devida questão religiosidade aos mesmos. E, olha que meus filhos, são batizados, consagrados, Crismados dentro da igreja católica, mas de alguma forma eu errei. Talvez, pudesse eu ser mais firme com os mesmos, e o tendão terminaria.
Mas, também, hoje nem sou mais tolerante comigo mesma, tento me aprisonar, o mundo tecnológico traz enésimas informações, e me desatualiza, me buga, no Processador Central do meu Eu. Hoje as coisas errôneas parecem estarem certas, e às buscas das certas estão errôneas.
O tempo passa, e eu fico mais intolerante comigo mesmo, sem o ato de perdão. E, olha, que o próprio Cristo, em sua crucificação, disse: Pai, perdoai-os, pois eles não sabem o que fazem! Mas, eu no auge de meus 58 anos, 9 meses, 6 dias, não sei me perdoar, tenho, como diz Adélia Brasília Henriques, palavras amargas, que me fazem desde criança ser solitária, ser só, não ter amigos, nem os da própria família. Mas, meus amigos, são o que mesmo? A memória, se distancia, quem sabe um dia, alguém na minha literatura da loucura, me dará valor, hoje só escrevo, por aí, para o desabafo de minhas amarguras. Hoje sem ter mais um sorriso verdadeiro nos lábios, questiono sempre, por que Deus não puxou aquele cordão, no dia 30 de junho de 1967, às 21h15? Estou aqui. Não sofro mais, pois sei que Deus, nos ampara. Mas, caio em todos os momentos em uma depressão, que acredito que o mundo ficaria melhor sem minha existência.
Escrevi Mentes Sombrias, ebook, no Recanto das Letras, por R$ 5,00, ninguém se interessa. E, na pressa de meus dias, a vida se depara com poesias amareladas, guardadas, que talvez nunca serão publicadas, e outras, impressas, inétidas nas antologias impressas, ou nos sites gratuitos que escrevo.
Mesmo assim, desejo a todos uma Feliz Páscoa, tempo de reflexão.
São Paulo, 5 de abril de 2026.
12h02
Teka Mendes Castro