Oswaldo Jesus Motta

Ainda estou

E quando o céu já não inventar figuras

e o que fomos couber

num intervalo sem nome

eu estarei —

não à frente,

nem depois,

no ponto exato

onde você esquece

guardando

o que não chegou até você:

as cartas dobradas,

as conversas pela metade,

os planos

interrompidos

te levaram por outra estrada —

e há caminhos que brilham

você foi

com os olhos acesos

para um ouro que não era meu

eu fiquei

com o que não reluz:

o avesso das horas,

o nome dito baixo,

o quase

quando a memória falhar nos detalhes

e restar só um peso sem origem,

uma pausa sem motivo,

não se assuste

há coisas que não voltam —

ficam

e eu,

como quem nunca saiu,

te devolvo

o que ainda é seu —

ainda estou