Oréon

Meu Azul Invisível

Às vezes eu olho para o céu e não o entendo.

Sei da sua vastidão que percorre os quatro cantos do planeta. Porém, não a vejo. 

Acima de meus olhos não paira o infinito do espaço. Muito menos, a beleza de seus fenômenos. 

Eu só vejo um teto. Uma parede intransponível para meu entendimento e contemplação.

Se não fosse o Sol, a Lua e as estrelas, talvez eu nem notasse ele ali.

Às vezes, eu me sinto como o céu.

Um gigante infinito que não compreende a si próprio.

No espelho, só vejo um reflexo. Uma parede igualmente intransponível para a minha empatia e minha razão.

Talvez, se não fosse pelo convívio e os espelhos, eu nem notaria a mim mesmo.

Espero, um dia, observar o céu com o mesmo encanto e paixão que um dia aguardo olhar para o espelho.