Beatriz Prado

Asas de verdade

Eu queria jogar tudo pro alto

Sentir o frescor da noite

Sem medo do frio amanhecer.

 

Não anseio me jogar no meio da estrada

Mas sim, me mover com o vento

Para onde ele me chamar, eu voarei.

 

Voarei, voarei tão longe

Que minhas prisões não me machucarão mais

E nada será tão verdadeiro, quanto as minhas asas.

 

E eu repito, não quero ser tomada pela insanidade

Apenas quero sair de um controle absoluto

E levar comigo, respiros de liberdade.

 

Ser livre na imperfeição é o meu desejo

E dessa imperfeição, sugar a minha essência

Tão escondida e abafada

 

Que implora para escapar de minhas mãos

Dos meus olhos e boca costurados

E, como nunca, cansados de tanto sufocar.

 

Mas, pulmões, se me deixarem planar

Sob os palcos efêmeros da vida

Prometo lhes trazer ar fresco e agradável

 

E serei eternamente grata por me exalar.