#Poema: A Sombra e o Peixe
Autor: Claudio Gia
Macau, RN, 03/04/2026
Na Sexta em que o sol hesita e chora,
o mundo para em espiral de cinza.
O peixe — signo breve que inda alisa
as águas turvas da manhã que chora.
Carne vermelha, força bruta e ida,
recua ante o jejum que o tempo ordena.
Nada o mar profundo em cada veia:
a morte é viva quando está vestida.
Há um feriado austero que liberta
as mãos do pão, da ausência que se cerca.
A cruz não é madeira: é curva certa
onde o silêncio pesca a carne aberta.
Três de abril — data que o céu não cerca —
Macau, RN: reflexo e cinza alerta.