Quantas vezes?
Quantas vezes você pensou em largar tudo?
Me diz?
E isso não significa que você é fraco...
Só que está cansado, exausto disso tudo...
Quando te ameaçam,
quando o que você mais queria era paz,
sabe o que é engraçado?
Ninguém vive a tua dor jamais.
Ninguém imagina como é
sentir-se abandonado,
você precisar se machucar
pra ver se passa um pouco a dor, sufocado.
Pois a dor do físico dói menos
que a dor da alma, a dor que vem de dentro,
que fere, que aperta, que invade
em silêncio, em todo momento.
Uma dor que a gente não consegue explicar,
e você a cada dia tenta rir,
a cada dia sai pra trabalhar,
tentando apenas existir.
Inventa um sorriso,
inventa projetos,
inventa coisas pra ocupar a cabeça,
pra fugir dos próprios afetos.
Mas o que você quer realmente
é fugir da dor,
é uma dor que não consigo explicar,
uma dor que consome por dentro, sem cor.
A dor do luto, do perdão, da paz, da culpa,
a dor da perda, a dor do abandono...
Cada ferida aberta
ecoando no mesmo tom.
A dor de sentir-se, muitas vezes, sem valor,
onde posso me refugiar?
Não tenho pra onde ir,
nem um lugar pra descansar.
Às vezes saio correndo, chorando,
esperando que alguém me encontre e me abrace,
que veja além do silêncio,
que minha dor não disfarce.
Você já sentiu essa dor?
A sensação de acabar com tudo
apenas deixando cicatrizes em seu corpo,
como um grito mudo?
O corte,
o sangue escorrendo,
pra ver se alivia a alma,
mesmo que seja por um momento.
Na hora alivia,
mas depois vem tudo de novo,
e a gente volta pra rotina
de carregar esse peso, esse povo...
De fingir estar bem,
pra que ninguém perceba,
e te chame de louca, fraca ou sem coração,
sem saber da luta que em você se revela.
Sem saber que você luta
todos os dias contra isso,
em silêncio, em guerra,
tentando ainda existir nisso tudoo...